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Mensagemdo dia

Entrando num quarto de hospital

Com o pé direito, o olhar atento e frio na barriga. Foi assim que entrei pela primeira vez num quarto de hospital.

Ninguém me convidou. Bati na porta com a cara e a coragem. Não sabia o que esperar e por isso mesmo não criei nenhuma expectativa. Bati, pedi licença e entrei.

Com timidez de iniciante, me apresentei e me fiz presente. Não queria ser só mais uma que entra quarto adentro sem a vontade do paciente e traz dores em forma de agulhas.

Não sou médica, nem enfermeira. Aliás, minha formação não tem nada a ver com a área da saúde. Por isso mesmo sabia que não poderia oferecer préstimos à doença.

Dentro do quarto – e já foram alguns depois do primeiro, ofereci meu sorriso e minha atenção. E descobri que uma conversa pode ser melhor que um remédio. Não na cura do corpo, mas na cura da alma.

Mesmo não sendo uma pessoa espiritualizada, muito menos religiosa, descobri que posso ajudar pessoas. Sou cética quanto às teorias de forças maiores que não enxergamos e não podemos tocar, mas acredito no que eu vejo e no que me toca. Por isso não preciso seguir nenhuma crença para acreditar e querer o bem das pessoas.

Senti verdade desde o primeiro momento em cada olhar que cruzou o meu. E a verdade é pura, mas nem sempre agradável. Já esbarrei com olhares de dor, com olhares de rejeição quanto à minha presença no quarto e com olhares de indiferença no primeiro momento – mas de alívio à medida que a conversa fluía.

A conversa é o remédio da alma. Se não cura dores, pelo menos abranda momentos. E acredito eu, mesmo sem nunca ter sido internada num hospital, que não há nada mais agradável pra quem está há dias ouvindo apenas conversas técnicas de médicos e enfermeiros, do que um bom papo sobre a vida, a família e os planos para o futuro. Mesmo que o futuro seja o amanhã.

E o meu amanhã, a cada dia que passa, vem se desenhando mais puro à medida que eu abro essas portas do hospital. Meus preconceitos ficam na sala de espera e eu esqueço de pegá-los de volta – às vezes eles correm atrás de mim, mas estou me esforçando pra correr mais rápido. A vontade de viver não sai mais do meu lado, mesmo eu insistindo em tropeçar de vez em quando. E minhas mágoas, antes tão enraizadas, estão perdendo espaço para os sorrisos que carrego comigo em toda despedida. 

Obter essas recompensas de um trabalho voluntário é melhor do que qualquer ganho material advindo de um trabalho remunerado. Pois fazer o bem é de graça e a gratidão que se recebe não tem preço.  Eu sou voluntária do hospital Emílio Ribas, mas se o assunto te interessa, procure algo do tipo na sua cidade. Há sempre uma forma de oferecer sorrisos. 

Em pouco tempo descobri que lidar com pessoas doentes pode ser uma forma eficiente de cura para os que se consideram sadios. Que pessoas doentes são legais e que, muitas vezes, os verdadeiros doentes não são os que estão internados. 

 

Por NATANY PINHEIRO

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